Novembro 26 2006
3ª Parte
Concluímos, hoje, a divulgação de dados biográficos sobre o Dr. Rui Paiva de Carvalho, que, embora nascido em Coimbra, esteve ligado, praticamente durante toda a sua vida, ao lugar da Rascoia (Avelar), onde seus pais viviam, na Quinta de Santo Amaro.
Ainda que a sua vida profissional, muito contra a sua vontade, tenha ocorrido sempre longe da Rascoia, a verdade é que nunca perdeu de vista a “sua terra”, presidindo à respectiva Comissão de Melhoramentos que abreviou a chegada da electricidade (como vimos na última edição), a melhoria da estrada e o fornecimento de água à “sua aldeia” e lugares vizinhos.
Médico formado em Coimbra, com boa classificação, exerceria a Medicina, quase como um “sacerdócio”, ao longo de mais de 40 anos, com talento e abnegação, reconhecidos por quantos por ele foram servidos. Um autêntico “João Semana” sempre disponível para os seus doentes. E estes foram milhares, no centro do País, designadamente nas terras dos concelhos de Pombal, Leiria e Ferreira do Zêzere.
Nas anteriores edições recordámos os seus tempos de estudante em Coimbra. Rui Paiva de Carvalho, apesar de muito jovem, mostrou-se logo interventivo a nível da comunidade avelarense, colaborando com a imprensa regional e tomando parte nos corpos gerentes de associações locais. Vimos também como se empenhou pela Rascoia e seus melhoramentos. Retomamos aí, hoje, o seu percurso de vida, para depois nos debruçarmos sobre o médico e o cidadão interessado no artesanato e na etnografia das comunidades que ia conhecendo.
O Dr. Rui lembra ao Presidente da Câmara a falta de água e o melhoramento da estrada para a Rascoia
Aquando da inauguração da energia eléctrica na Rascoia, no dia 28 de Setembro de 1958, na sua intervenção, o Dr. Rui Paiva de Carvalho, ao dirigir-se ao Presidente da Câmara de Ansião, lembrou a necessidade do abastecimento de água potável e o melhoramento da estrada para o Avelar:
«Permita-me que em nome da Comissão de Melhoramentos desta localidade lhe dirija um apelo: A Rascoia, tal como todos os meios rurais, necessita de ser olhada com carinho pelas Entidades oficiais. Sabemos, Sr. Presidente, das dificuldades presentes. A Comissão de Melhoramentos desta Terra, sentindo interpretar o anseio da população da Rascoia, apela para V.ª Ex.ª para que, brevemente, e tanto quanto possível, o abastecimento de água potável seja uma realidade, pois presentemente nem na sua velha fonte de “chafurdo” ali pode “de chafurdo” encher os seus cântaros, andando-se abastecendo de poços vários e da caridade dos particulares que têm água em suas casas. Já esta Comissão, em 13 do corrente, como é do conhecimento de V.ª Ex.ª e do Ex.mo sr. Engenheiro-Chefe da Urbanização do Distrito de Leiria, dirigiu um apelo a sua Ex.ª o Ministro das Obras Públicas para que fosse urgentemente estudado e comparticipado o abastecimento de água potável ao Povo desta Terra. Conto em absoluto com o apoio e superior critério de V.ª Ex.ª, Sr. Presidente, para nos ajudar a levar por diante esta realização, velhíssima aspiração, e presentemente necessidade absoluta. Também estamos absolutamente isolados: a estrada que nos liga ao Avelar está intransitável, sem valetas, etc. Contamos, pois, com a valiosa acção da Câmara para em colaboração com esta Comissão de Melhoramentos se poder dar-lhe uma regular reparação a fim de decorrido o período do 2.º Plano de Fomento, de 1959-1964, no qual a mesma não pôde ser incluída por razões estranhas à nossa vontade, V.ª Ex.ª ordene a sua inclusão no 3.º Plano de Fomento e então ligando-se o Avelar ao ramal para a Aguda, tal como está previsto pelo Governo nas estradas municipais a construir. Também esta Comissão de Melhoramentos aumentou para cinco metros de largura a estrada da Rascoia ao Pontão; contamos ainda antes da época invernosa mandar abrir as indispensáveis valetas e decorrido o tempo necessário iremos tentar, com a boa vontade de todos os habitantes deste lugar e doutros, conseguir um regular piso numa faixa de rodagem de 3,5 metros. Também esperamos, Sr. Presidente, que a Câmara nos auxilie para este Ramal, a futura e movimentada estrada da Rascoia ao Pontão ou antes, à Estrada Nacional para Figueiró dos Vinhos, ao fundo das Lombas.
A Rascoia, Sr. Presidente, conta e espera com a valiosa, justa e necessária contribuição da Câmara da sua mui ilustre Presidência. Sabemo-lo um Homem de Bem; por isso temos a certeza que iremos ser atendidos».
Mais tarde, estes seus pedidos seriam satisfeitos, para benefício da população da Rascoia e dos lugares mais próximos
Nessa mesma sessão, o seu amigo, Dr. Manuel Torres Marques, Tesoureiro da Bolsa de Mercadorias de Lisboa, num Improviso elogia, assim, o Dr. Rui Paiva de Carvalho: «Pela mão de um Ilustre Filho de Portugal Maior, fraterno e Amigo, Espírito ascensional e Alma generosa duma Geração Coimbrã sem igual, - vim até este rincão de Bonança e de paisagem contemplativa.»
E entre os versos que, na ocasião, escreveu e declamou, transcrevemos os seguintes:
«… Pelas horas de luz e de agasalho
da Rascoia… Jardim da Terra Portuguesa
onde viceja a Flor de estima e de Franqueza,
acho que as nossas almas
devem-no ao bom Doutor
RUI PAIVA DE CARVALHO
- além da Gratidão Maior –
neste momento… as mais vibrantes palmas!...»
Casou oito dias depois de ter completado 30 anos
 
Casou no dia 2 de Fevereiro de 1946, em Fátima
Entretanto, aos 30 anos de idade, resolveu constituir família. A notícia do seu casamento, que se segue, transcrevemo-la do jornal onde escreveu muitas crónicas, enquanto estudante universitário – A Regeneração. Saiu na edição de 9 de Fevereiro de 1946, página 4.
«No dia dois deste mês efectuou-se em Fátima, na Cova da Iria, o casamento da menina Maria Luisete Herdade Santos, gentil filha da Sr.ª D.ª Arminda da Silveira Herdade Santos e do Sr. José Pedro dos Santos, conceituado comerciante em Figueiró, com o Sr. Dr. Rui Simões Rego Paiva de Carvalho filho da Sr.ª D.ª Zamira Simões Rego Paiva de Carvalho e do Sr. Dr. Humberto Paiva de Carvalho.
Apadrinharam o acto, por parte da noiva a Sr.ª D.ª Maria Ana Ramos Herdade e o Sr. Herculano da Silveira Herdade, e por parte dos noivos, que seguiram para o Sul em viagem nupcial, seus pais».
Deste casamento nasceram dois filhos, os Drs. José Humberto, em 1947, e Rui Pedro, em 1957.
Terminado o Curso, em Coimbra, iniciaria uma carreira repleta
Concluiu, em 4 de Junho de 1941, a Licenciatura em Medicina e Cirurgia, na Universidade de Coimbra, com 14 valores. Menos de um mês depois (2 de Julho) fez o exame de Medicina Sanitária, obtendo a mesma nota. No ano lectivo 1939-1940, voluntariamente, frequentou, na sua Faculdade de Medicina, com aproveitamento, o Curso Especial de Tisiologia Social.
Em Outubro de 1941, foi nomeado Médico privativo da Casa do Povo de Santiago de Litém (concelho de Pombal), onde se manteve até 6 de Março de 1943, sendo o seu serviço classificado de “Bom e Efectivo”.
A 7 de Março de 1943, é nomeado Médico Efectivo da Casa do Povo de Monte Redondo (concelho de Leiria), cargo que desempenhou até fins de Março de 1945, sendo o serviço prestado classificado de “Muito Bom e Efectivo”.
No dia 25 de Agosto de 1945 tomou posse como Médico Municipal do Partido de Monte Redondo, lugar que exerceu até 25 de Junho de 1963, obtendo igualmente a classificação de serviço “Muito Bom e Efectivo”.
Logo a seguir, foi empossado como Médico Municipal do Partido de Paio Mendes (concelho de Ferreira do Zêzere), que ocupou até 19 de Novembro de 1963. No dia seguinte, tomou posse do lugar de Médico Municipal do Partido de Areias (ainda do concelho de Ferreira do Zêzere), onde se manteve até ao dia 18 de Janeiro de 1971. No dia seguinte passou para a sede do concelho, aceitando o cargo de Médico Municipal do Partido n.º 1.
Por nomeação oficial foi, também, Perito Médico-Legal.
Por Portaria de 1 de Agosto de 1964 foi nomeado Subdelegado de Saúde Substituto do concelho de Ferreira do Zêzere, cargo de que tomou posse a 10 de Setembro de 1964. No dia 21 de Julho de 1970, tomou posse do cargo de Subdelegado de Saúde do concelho de Ferreira do Zêzere. Em Lisboa, na Escola de Saúde Pública, frequentou, entre Fevereiro e Maio de 1972, com aproveitamento, o Segundo Curso Intensivo de Saúde Pública.
Em todos os lados onde exerceu o múnus da medicina, viu reconhecido o seu empenho e dedicação. Esta era de tal ordem que o levou, muitas vezes, a envolver-se no apoio às actividades artesanais e etnográficas das comunidades onde viveu, como aconteceu com a conhecida louça da Bajouca, de que foi grande impulsionador.
Manifestações de reconhecimento pelo seu valor enquanto médico e cidadão
No tempo em que foi médico em Monte Redondo, prestou também serviço muitos anos no Posto da Praia de Pedrógão, trabalhando para a instituição que superintendia nesse Posto Clínico, a Casa dos Pescadores da Nazaré, que, em 1963, ano da despedida, lhe endereçou os agradecimentos por os considerar «devidos a quem tantos e tão bons serviços prestou à causa dos pescadores».
Durante vários anos, das décadas de 1950 e princípio da de 1960, integrou a Comissão Organizadora da Feira de Março. Pelo empenho com que se envolveu nessa iniciativa, em 1959, a Comissão Municipal de Turismo de Leiria, na sua reunião de 19 de Maio de 1959, registou em acta o seguinte:
«(…) Atendendo aos relevantes serviços prestados pelo Exm.º Senhor Dr. Rui Simões Rego de Paiva de Carvalho, Distinto Médico em Monte Redondo, na organização no Cortejo das Freguesias, integrado na Feira de Março. / Atendendo ainda que a referida freguesia de Monte Redondo foi a melhor representada em todos os seus sectores, quer comerciais, industriais, de artezanato e agrícolas, mercê de um desvelado e incansável esforço dispendido pelo supracitado Exm.º Senhor Dr. Rui Simões de Carvalho. / Esta Comissão Municipal de Turismo houve por bem, exarar em acta um voto de louvor ao Exm.º Senhor Dr. Rui Simões Rego de Paiva Carvalho, pela sua valiosíssima colaboração agradecendo todas as atenções e carinho prestados nesta iniciativa».
Fez parte dos Corpos Gerentes (em 1964 era Presidente da Assembleia Geral) da “Pedramar – Sociedade de Turismo da Praia do Pedrógão”.
            Em reconhecimento, esta importante praia leiriense atribuiu o seu nome a uma das suas principais artérias (é pena que nenhuma das ruas da “sua” freguesia, cujos melhoramentos tanto granjeou, ainda não ostente, também, o seu nome).
 

O seu filho Prof. Doutor José Humberto, Nora e Netos, junto da Placa que identifica a nova Rua “Dr. Rui Paiva de Carvalho – Médico” na Praia do Pedrógão 

            Num estudo monográfico sobre Monte Redondo, intitulado “Falar de Monte Redondo (figuras e factos do passado)”, da autoria de Sertório Hingá Ferreira, a certa altura, sobre o nosso biografado, escreve-se o seguinte:

            «Monte Redondo e lugares componentes da Freguesia, apesar da sua numerosa população e relativa importância como meio rural, raramente conseguiu no passado a prolongada radicação de um médico.

            A mais efectiva, foi a do Dr. Rui Simões Rego Paiva de Carvalho, entre os anos 40 e 70, com um bem montado e apetrechado consultório, perto da estação da CP.

            (…) Depois de casado, passou a residir no 1º andar do antigo prédio de Manuel Gomes Carvalho, que, no rés-do-chão, tinha uma loja (…).

            Médico competente, com alta classificação, bom clínico e bom cirurgião, dotado de grande dinamismo, cedo se afeiçoou a esta terra criando boas amizades.

            Sensível ao fenómeno artesanal existente no lugar da Bajouca (hoje sede de Freguesia), na prática da moldagem do barro, promoveu o seu desenvolvimento, com a colaboração em sociedade, do artesão Luís Santo e de Afonso Dias Crespo, proprietário da farmácia local, criando mais arte, com a produção de novas formas, aumentando a sua divulgação e consequente escoamento. Para tanto, foi montada exposição/loja ao lado da referida farmácia.

            Outras iniciativas se ficaram devendo ao seu dinamismo e elevado espírito cívico, em diversas acções em favor desta terra (…)».

Por todos os sítios onde passou, como estamos a ver, deixou um rasto de gratidão da parte de quem com ele conviveu de perto.

Ferreira do Zêzere, onde esteve durante 23 anos e terminou a sua carreira, homenageou-o com um jantar onde compareceram centena e meia de pessoas, entre as quais as forças vivas da vila, algumas das quais usaram da palavra. Entre estas, o Pároco, Dr. João Antunes de Carvalho, que a dado momento disse: «(…) Ouvi dizer maravilhas deste homem que, chegou a não cobrar dinheiro nas visitas que fazia aos seus doentes. Em todas as suas paragens deixou sempre o seu rasto de luz»; o Presidente da Câmara, António Teixeira Antunes, referiu que a Câmara, na sua sessão de 18 de Março decidiu exarar em acta o seguinte: «gravar em placa a homenagem dos 23 anos de serviço prestados no Concelho, onde também desempenhou os cargos de Delegado de Saúde e Director do Centro de Saúde de Ferreira do Zêzere». Nesse jantar, que teve lugar no dia 23 de Março de 1986, também o Dr. Teixeira Lino, ao usar da palavra, se referiu ao homenageado com palavras de reconhecimento: «(…) Quando chamado a ajudar o seu próximo soube ser tal como o João Semana, médico, psicólogo e conselheiro».

Foi, por isso, com inteira justiça, que ao terminar a sua vida profissional, o Director-Geral dos Cuidados de Saúde Primários o louvou publicamente:

«Louvor ao Dr. Rui Simões Rego Paiva de Carvalho

Considerando que o Sr. Dr. Rui Simões Rego Paiva de Carvalho dedicou cerca de 44 anos da sua vida ao Serviço da Saúde Pública, quer trabalhando como médico da Casa do Povo e da Ex-Federação das Caixas de Previdência e Abono de Família, quer como médico Municipal e como Delegado de Saúde e ultimamente da Administração Regional de Saúde de Santarém, na qualidade de Director do Centro de Saúde de Ferreira do Zêzere, onde sempre soube impor o seu saber, zelo e competência para além da dedicação dispensada aos seus doentes, é de inteira justiça destacar e chamar a atenção para este exemplo de dedicação profissional.

Assim, é concedido ao Dr. Rui Simões Rego Paiva de Carvalho, por proposta da Comissão Instaladora da Administração Regional de Saúde de Santarém, no momento em que atinge o limite de idade legal para o exercício de funções, público louvor pelo mérito da actividade desenvolvida. / Lisboa, 21 de Março de 1986».

Faleceu no dia 17 de Junho de 1999

Na altura do seu falecimento, o Jornal de Coimbra (de 23 de Junho de 1999), na página “Actualidade”, com uma foto do Dr. Rui, noticia a infortunada ocorrência, com o título: «A morte do dr. Rui Paiva de Carvalho / Como noutro local se refere, é hoje celebrada missa de sufrágio (pelas 19 horas, na Capela da Universidade) pelo dr. Rui Paiva de Carvalho, que foi a sepultar na passada sexta-feira.

Rui Simões Rego Paiva de Carvalho, filho de Humberto Luís Paiva de Carvalho e de Zamira Rego Simões de Paiva, nasceu em Coimbra em 25 de Janeiro de 1916.

Passou a infância e a adolescência em Rascoia, Avelar, onde cresceu e estudou; seus pais leccionaram o ensino secundário e várias gerações passaram pelo seu “Liceu Alfredo Manso”, junto à sua residência. O mesmo, aliás, se passou com sua irmã, Maria Luísa, um ano e meio mais nova, que seguiu um percurso idêntico até à conclusão do Curso de Medicina, que ambos tiraram na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra.

Médico vocacionado e dedicado, iniciou a sua actividade em S. Tiago de Litém, na Casa do Povo, mas a breve trecho conseguiu um lugar de Médico de Partido, em Monte Redondo, Leiria, e para lá se transferiu.

Ali se manteve até 1963, pondo em prática todas as suas capacidades inesgotáveis de trabalho e de dedicação, assumindo-se, clínica e socialmente, como um cidadão activo, interveniente, pujante – da Medicina, nas suas multifacetadas tarefas de Clínico Geral (um João Semana…) 24 horas por dia, à defesa e salvaguarda de valores culturais (etnografia, folclore, olaria regional) e à política.

Casou em 1946 com Maria Luisete Herdade Santos, de Figueiró dos Vinhos, encetando então um percurso comum fértil, cúmplice e fidelíssimo, que só a morte conseguiu interromper agora.

Deste casamento nasceram dois filhos: José Humberto, em 1947, e Rui Pedro, em 1957 (que também se licenciaram em Medicina e, por curiosidade assinalável, ambos casaram com médicas).

A aproximação da sua casa e propriedades, no Avelar, levou a que, em 1963, se radicasse no concelho de Ferreira do Zêzere.

Exerceu actividade clínica intensa nas localidades de Paio Mendes, Areias e na sede do concelho, vindo a passar à reforma em 1986 como Delegado de Saúde e Director do Centro de Saúde de Ferreira do Zêzere, em instalações que ele próprio ajudara a criar.

Os doentes e os profissionais de saúde que liderou são, e serão, o melhor testemunho da forma como desempenhou a sua missão: dedicação e firmeza dificilmente igualáveis, um afecto em tudo, um sentido ético incomum e uma exigência de si próprio, e dos outros, que só um grande saber de experiência feito podiam justificar num dia-a-dia contado e aproveitado ao minuto como uma dádiva que era preciso respeitar.

O Dr. Rui foi um autêntico “João Semana”, ao serviço dos seus doentes

Era assim “o Sr. Dr. Rui”, como quase todos o tratavam.

Algum tempo depois de cessar as suas funções oficiais veio viver para Coimbra, mais perto dos filhos e dos netos – a quem cabe, agora a missão de testemunhar, e continuar, de acordo com as suas capacidades, o exemplo e os ensinamentos de vida que lhes legou como Pai e Avô sempre atento, sempre pronto a ajudar, sempre disponível; mas sempre exigente e disciplinador.

Verdadeiramente, deve dizer-se, o seu grande gosto em ser Médico nunca o deixou interromper a sua actividade, por muito que as forças lhe faltassem…

E cabe recordar que a última vez que se sentou à sua secretária a tentar escrever, o fez na tentativa de passar uma receita para que um filho fosse à farmácia buscar uns medicamentos. Foi há poucas semanas, e já não foi capaz!

Mas deve, também, recordar-se, que conciliou, sempre as suas actividades profissionais com as de preservação e de gestão dos bens de família, da agricultura, à pecuária, à silvicultura e à arboricultura, sempre com o mesmo espírito de missão e de sacrifício, e com grande competência.

Como Homem, e para lá dos dois filhos que deixou (e para quem foi o melhor dos exemplos; as suas obras falarão por eles), das muitas árvores que plantou e dos muitos livros que escreveu, fez e deixou marcas indeléveis por onde passou.

Em muitas áreas e ao longo de uma vida que poderia ter sido mais comprida não fora uma ferrugem traiçoeira que o fez tropeçar, em Abril de 97, a este Homem de Ferro.

Aguentou muito, estóico e digno. / Sempre cortês e firme, e a não querer depender, nem de bengalas nem de ninguém. / Mas não pôde mais; e como muitas vezes dizia, veio do pó e ao pó voltou. / Honra lhe seja, porque a merece.

E Paz, igualmente. O Exemplo e a Gratidão ficam. / Que floresçam!».

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Consulte: 1ª parte - 2ª parte
publicado por ansiaonews às 18:33

A História Ilustre de Ansião pelo Dr. Manuel Augusto Dias
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