Novembro 26 2006
2ª Parte
 
Continuamos, nesta edição, a divulgar alguns dados sobre o Dr. Rui Paiva de Carvalho.
 
Nascido em Coimbra, em 1916, viria muito pequenino para a Rascoia (Avelar), onde seus pais haviam fundado e dirigiam o Liceu Regional Alfredo Manso, instalado na Quinta de Santo Amaro, propriedade da família. Aí, como muitos outros rapazes da sua idade (e também algumas raparigas), aprenderia as primeiras letras, frequentaria o ensino primário e seria preparado para o exame do Curso Geral dos Liceus, a que se submeteu no Liceu José Falcão (em Coimbra), obtendo a média final de 14 valores. Nesse mesmo estabelecimento de ensino frequentaria o Curso Complementar dos Liceus que concluiu dois anos depois, com a mesma nota. A seguir, viria a Faculdade de Medicina da Universidade, de Coimbra.
Concluído o Curso, com boa classificação, em Junho de 1941, exerceria, com reconhecido talento e abnegação, a Medicina, ao longo de mais de quatro longas décadas. Um autêntico “João Semana”. Serviu várias localidades do centro do País, designadamente terras dos concelhos de Pombal, Leiria e Ferreira do Zêzere. Curiosamente, nunca conseguiu, como pretendeu (por capricho de algumas autoridades), ficar o mais próximo possível da nossa terra.
Na anterior edição recordámos os seus tempos de estudante em Coimbra e como, ainda tão jovem, foi capaz de participar, interventivamente, na comunidade local, quer através de artigos publicados regularmente em A Regeneração, quer por intermédio de conferências que proferiu no Avelar e em Figueiró dos Vinhos, quer ainda fazendo parte dos Corpos Gerentes de algumas colectividades avelarenses. Como veremos hoje, o seu interesse pela Rascoia e seus melhoramentos manteve-se ao longo da vida.
  
Já no número anterior, fizemos referência ao seu artigo publicado em A Regeneração, de 28 de Dezembro de 1935, onde refere que, no Avelar, ainda há resquícios de politiquice herdada da Primeira República que leva a inimizades e a desunião entre as pessoas. A questão da “União” dos avelarenses foi-lhe sempre muito cara. Encarava-a como condição sine qua non para se conseguirem importantes melhoramentos para a terra.
Ainda na edição anterior, transcrevemos o interessante artigo que saiu na edição do dia 25 de Abril de 1936 (pelo engano na data, que logo se adivinhava pelo conteúdo, pedimos desculpa).
Hoje vamos reproduzir o seu primeiro escrito, publicado em A Regeneração.Saiu na edição n.º 327, de 9 de Setembro de 1933, página 4. Rui Paiva tinha, então, apenas 17 anos. Dá para ver a sua grande ligação afectiva ao Avelar.
O seu primeiro artigo para um jornal foi escrito quando ainda andava no Liceu
«Pelo Avelar / Percalços e recordações da Festa da Guia
Já clareia a manhã de domingo e a festa vai findar. Os forasteiros, contentes, satisfeitos, entusiastas, abandonam a vila ao som dos pifaros, dos harmoniuns, dos ferrinhos, num jazz-band infernal, mas pitorêsco, em que sobressaiem os descantes sádios, alegres e festivos das moçoilas que traduzem, no ritmo dolente das cantigas, a saudade, a nostalgia das festas.
Desta forma termina a grande Romaria da Guia para aqueles que de longe vieram.
Porém, para nós, ela continuará hoje ainda; o domingo é para os da terra. Também lá fui, sábado, noute alta, luar lindo, o Terreiro estava cheio de gente.
Do Hospital, aquele mar de cabêças espalhava-se por entre as tendas, as barracas, onde os rapazes da terra, confraternizando com os de fora, saboriavam os liquidos côr de café que ali se vendiam. Por toda a parte se notam aqueles que, em torcicolos, deram começo á festa bebendo e bebendo a findaram. Alguns acabaram por fim, nas mãos da G.N.R. No Terreiro as raparigas bailavam.
O Povo divertia-se. A rapaziada mostrava que ainda tinha sangue na guelra. Até eu dancei. A academia associou-se ao regosijo popular. Mas... numa volta, ao som das cantigas, ao deambular, por aquele piso irregular, cheio de covas, na iminência de uma queda e não tendo mais nada a que me agarrar, inocentemente lancei as mãos aos quadris duma môça guapa e bela.
Foi o diabo! O bailarico desmanchou-se e eu na frasiologia da malta cavei. A festa ia-me saindo dura e mais contundente. O baile das meninas estava então no auge. Para lá fui e lá dancei.
A Academia de Ancião, Alvaiázere, Figueiró, Chão de Couce e Maçãs estava condignamente representada por aqueles moços que nestas ocasiões, como sempre, manifestam a sua inocência, a sua pacatêz, a sua... falta de maldade.
Um balão subia. Com ele subia o meu pensamento para que de futuro, com o brilhantismo de outrora e a boa vontade de sempre, a festa se conserve e repita para alegria e diversão de todos nós.
Que nem outros podiam ser os meus votos. / Rascoia / Rui Paiva».
A sua ligação ao Avelar, ainda se tornou mais forte, quando, três meses depois, aceitou fazer parte dos corpos gerentes do “Grémio Avelarense”.
O Grémio Avelarense Primeiro de Janeiro havia-se constituído no dia 1 de Janeiro de 1929, por iniciativa de um grupo de jovens do Avelar, com o duplo objectivo de diversão e instrução. Todos os anos organizavam várias festas e bailes, mormente no dia do seu aniversário, onde era fácil encontrar jovens de todo o concelho. Assim, por exemplo, na festa do seu terceiro aniversário, compareceram os seguintes jovens de Ansião: Esmeralda Pereira, Maria Pereira, Adelina dos Santos, Políbio Gomes dos Santos, Vítor Faveiro, Alfredo Silveira, Carlos Carvalho e Jaime Rosa (cf. Novo Horizonte, de 15.1.1932, página 1). Entre os seus dirigentes, destacamos, os seguintes: em 1932, 1933, 1934 - Ernesto de Figueiredo Dinis (Presidente da Direcção), Manuel Augusto Fernandes Medeiros (Presidente da Assembleia Geral) e Sérgio Augusto Fernandes Medeiros (Presidente do Conselho Fiscal); em 1935 - Manuel Augusto Fernandes Medeiros (Presidente da Direcção), Ernesto de Figueiredo Dinis (Presidente da Assembleia Geral) e Emídio Figueiredo Dinis (Presidente do Conselho Fiscal).
Rui Paiva foi membro fundador da Associação Popular Recreativa de Avelar  e, no dia 29 de Dezembro de 1933, tomou posse como 1.º Secretário do “Grémio Avelarense Primeiro de Janeiro”. Nessa altura, perante quem assistia à tomada de posse,  proferiu um interessante discurso, sob o título: “A influência da Dança”.
Transcrevemos, a seguir, algumas passagens da sua comunicação:
Um dos seus primeiros discursos…
«Um estudante dança sempre: - dança em menino, dança em môço e dança finalmente em jarrêta. Dança em menino balouçando-se ao colo de sua mãe que tão estremosamente o acarinha; dança em môço para recrear o espirito que a tal o obrigam os seus mestres que, não se compadecendo de nós (sim, de nós, os académicos) nos obrigam a um trabalho intensivo, quási impossível; dança em jarrêta, porque, embora já doutorado na vida, ele continua ensinando a mocidade no que sabe, já dando-lhe alguns conselhos, já admoestando-o em caso de necessidade, incitando-a ao caminho do dever e às acções nobilitantes que hão-de tornar digna a Pátria a que pertence. E além disso esse ancião para se debater com a vida, para ganhar, anda constantemente num vivo rodopio.
(...) Toda a pessôa é um perfeito estudante. Muita gente considera só estudante o individuo que estuda livros, que cultiva o seu espirito lendo, discutindo assuntos, etc.; engana-se completamente.
Porque, minhas senhoras e meus senhores, todos nós, quer velhos quer novos, estudamos no mais preciôso e mais complexo compêndio – o livro da vida.
É por isso que eu me refiro a todos nós com a designação de “estudante”. Toda a sociedade humana, desde os homens mais incultos aos mais civilisados, é, digamo-lo assim, a Academia Mundial. (...) Foi exactamente pela diversão ser necessária que um punhado de rapazes, faz hoje anos, fundou esta agremiação “Grémio Avelarense Primeiro de Janeiro”.
Saudemo-los, incitemo-los a trabalhar cada vez mais em prol da agremiação e recordemos-lhes, mais uma vez, que, trabalhando nesse intuito, dão uma prova inequivoca do seu muito amor ao Avelar. Digamos alguma cousa acerca do Grémio.
Ainda novo como é, ele já sabe mostrar que tinha condições de vida, de existência.
Será de esperar que ele continue evidenciando. Ainda até agora e mesmo no momento que vai correndo o nosso Grémio apresenta uma deficiência em número de elementos dançantes, mas temos de concordar que, decorridos que sejam 8 anos, ele tem já muita gentinha nova capaz de substituir a presente e seguir as passadas d’esta e da pretérita. E foi, minhas senhoras e meus senhores, pensando isto, meditando no futuro, que esses rapazes, amigos do engrandecimento e prosperidade do seu Avelar – do nosso Avelar – fundaram esta agremiação que, como nós muito bem o sabemos é, embora modesta, por todos querida, julgo eu. (...) Todos nós devemos trabalhar para o mêsmo fim guiados pelo mêsmo ideal – no nosso Grémio. Incitemos todos a trabalhar, pois, em seu pról. Digamos, de passagem, à Direcção que hoje tomou posse, que siga o itinerário até agora seguido pelas outras e encorajemo-la a trabalhar para o nosso Grémio.
Minhas senhoras e meus senhores, a diversão, a dança, é tão necessária como o pão. Logo o Grémio é útil.
Se não fora o Grémio, se não fora a dança, não estaríamos nós hoje aqui reunidos.
Provado fica, pois, que até dançando nós valorizamos o Grémio e a nossa Terra.
Viva, pois, o Grémio e o Avelar. / Rascoia, 29.12.1933».
Foi um entusiasta das ideias nacionalistas que, nessa altura, estavam na moda
Já estudante universitário, deixou-se entusiasmar pelas novas ideias políticas tão em voga nesse tempo, e que, de forma autoritária, procuravam resolver os graves problemas que assolavam toda a Europa: crise económica, inflação, desemprego, desvalorização da moeda, agitação social. Era o tempo da implantação das ditaduras de direita, em reacção à “ameaça” do bolchevismo.
Das várias conferências que então proferiu, destacamos duas: a do Avelar, no dia 27 de Dezembro de 1936, onde tratou o tema, “Diamante Fascista”; e a de Figueiró dos Vinhos, no dia 3 de Abril de 1937, com o título “A Revolução Política na Itália”.
Relativamente à Conferência do Avelar, além das destacadas personalidades referidas na notícia, ainda assistiram à palestra, o Padre Manuel Maria Gaspar Furtado, os Professores Elísio Mendes Oliveira e Manuel Ferreira, Artur Faria e, entre outros, Manuel Antunes Pintassilgo.
            O jornal de Figueiró dos Vinhos, A Regeneração, dá a notícia na edição de 9 de Janeiro de 1937:
«(...) Presidiu o sr. dr. Alberto Rêgo, que fora ladeado pelo sr. Tenente Adriano de Sousa Ribeiro e pelos académicos, Alberto Teixeira Forte, Arnaldo Marques da Costa, D.ª Maria Benilde Moreira Fino, Emídio Moreira e Amílcar Agria.
            Alberto Teixeira Forte faz a apresentação do conferente nos termos mais elogiosos e louva a atitude de Rui Paiva pela escolha inteligente que fizera do assunto da conferência. Afirma que nunca a discussão do problema fascista será tão actual como nos tempos que correm, em que se chega a afirmar que a Humanidade se encontra politicamente dividida em duas correntes, que se entrechocam numa luta de vida ou de morte: o Fascismo e o Comunismo.
            Em seguida é dada a palavra ao ilustre Conferente.
            Rui Paiva, jovem, que certamente ainda não ultrapassou os 20 anos apareceu-nos animado dum espírito profundamente nacionalista e cristão. Afirma sem receio de contradita que a organização política e social dos povos contemporâneos tem de assentar: em o nacionalismo e cristianismo.
            Descreve-nos pormenorizadamente o aparecimento e orgânica do Fascismo, fazendo realçar a educação da mocidade italiana, que considera física e moralmente exemplar.
            Termina fazendo um caloroso apêlo à mocidade avelarense no sentido de se unir sob um só estandarte – o do Bem da Nação – lutando sempre que seja necessário contra o inimigo Moscovo, para que Portugal de Salazar continue a marcar a sua posição na vanguarda dos povos civilizados.
            Do seio da numerosa assistência ecoou uma viva e prolongada salva de palmas.
            Finalmente o ex.mo sr. dr. Alberto Rego felicita o conferente pela maneira verdadeiramente interessante como encarou o assunto.
            Fala sobre alguns dos pontos mais importantes da Conferência.
            Refere-se à grande figura de Mussolini, figura que não temos que invejar visto termos em Portugal Salazar que é incontestàvelmente o maior estadista do mundo contemporâneo.
            Termina sua ex.ª levantando um entusiástico viva a Salazar, que foi seguido por parte da assistência por alguns vivas a Carmona e à Pátria / C».
 
No Cine-Teatro Figueiroense Rui Paiva fala da Revolução Política na Itália
 
Quatro meses mais tarde, volta ao mesmo tema, numa conferência que dá na sede do concelho vizinho, Figueiró dos Vinhos. A Regeneração de 3 de Abril de 1937 traz a notícia:
«Com o patrocínio da Casa do Povo desta vila, fez uma conferência no Cine-Teatro Figueiroense, na p. p. terça-feira, o Ex.mo Sr. Rui Paiva de Carvalho, aluno muito distinto do 2.º ano da Faculdade de Medicina, de Coimbra.
            Ali se reuniu selecta assistência a que presidiu o Ex.mo Sr. Dr. Humberto Paiva, pai do conferente e Tenente Carlos Rodrigues, administrador do Concelho.
            Na leitura do seu trabalho, o ilustre conferente dissertou largamente sobre o tema escolhido “A Revolução Política na Itália” onde mostrou estar bem conhecedor do assunto, o que bastou para prender a atenção da assistência, ainda bastante numerosa.
            Novo, muito novo ainda, o Sr. Rui Paiva revela já qualidades de trabalho e inteligência que o impõem a esta sociedade que está moldando-se em princípios verdadeiramente novos e que visam um ideal muito diferente daquele a que os velhos, decrépitos no pensar, estão ainda aferrados.
            Através da sua colaboração no nosso jornal, já conhecíamos os dotes de trabalho do ilustre académico mas a sua conferência excedeu a nossa expectativa, corroborando a convicção que tínhamos de que estávamos em presença dum jovem perfeitamente integrado na doutrina de Salazar, do Estado Novo.
            A revolução social a que estamos assistindo pode, pois, contar com mais este elemento que alimenta a comunhão dessas ideias e que, sob a bandeira da paz e da ordem, sabe ser uma boa parcela na soma dos esforços que todos os bons portugueses estão fazendo por um Portugal melhor e maior». 
            Entretanto, o tempo foi passando, e o Curso de Medicina ia correndo bem. Rui Paiva era um excelente aluno.
            No dia 13 de Maio de 1939, a edição de A Regeneração incluiu, na página 4, uma interessante caricatura sua, enquanto estudante universitário. Rui Paiva de Carvalho é desenhado sobre livros de Medicina, com um jornal dobrado debaixo do braço e um dístico onde aparecia escrito: “Conferências” e, num lenço, a palavra “Nacionalismo”. Aparecia com um chapéu-de-chuva, onde estava escrito “João Semana”, como que prenunciando o que seria a sua vida profissional. Como não podia deixar de ser, fazia-lhe companhia “protectora” a Capelinha de Santo Amaro.
Esta caricatura reproduzida nas páginas do jornal, era acompanhada do seguinte texto: «Dr. Rui Simões Rêgo Paiva de Carvalho, distinto quintanista da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e nosso presado redactor-correspondente naquela cidade».
Concluiria, no dia 4 de Junho de 1941, com o exame de “Clínica Cirúrgica”, a Licenciatura em Medicina, pela Universidade de Coimbra, obtendo a média de 14 valores, depois da prestação de provas públicas, nas quais foi julgado apto, pelo voto dos Mestres.
Apesar de ter ido exercer a medicina para longe do seu Avelar, não deixou nunca de lutar pela melhoria da qualidade de vida da terra onde passou a infância e parte da Juventude.
Um dos exemplos mais evidentes do que acabamos de informar, refere-se ao fornecimento de Luz Eléctrica à Rascoia. Ele foi um dos grandes impulsionadores. Transcrevemos, a seguir, parte do seu discurso, no dia do evento:
Palavras do Dr. Rui Paiva de Carvalho, aquando da inauguração da Luz Eléctrica na Rascoia no dia 28 de Setembro de 1958:
«Ex.mo Sr. Presidente da Câmara Municipal de Ansião, / Ex.mas Autoridades Civis Militares e Eclesiásticas, / Snr.as e Snrs.
Na minha qualidade de Presidente da Comissão de Melhoramentos desta terra cumpre-me apresentar a V.ª Ex.ª, Sr. Presidente da Câmara deste Concelho, os cumprimentos respeitosos deste bom Povo e as saudações efusivas por o termos junto de nós, além de lhe apresentar os meus cumprimentos pessoais com os votos para V.ª Ex.ª e sua Ex.ma Família da melhor saúde e felicidades.
Peço a V.ª Ex.ª que transmita ao Ex.mo Governador Civil do nosso distrito, Ex.mo Sr. Dr. João Moreira, os mais respeitosos cumprimentos deste bom Povo e pedi-lhe que seja intérprete junto do Governo da Nação da gratidão do mesmo pela comparticipação concedida para a electrificação da Rascoia e sem a qual a mesma seria impossível. A todos quantos nos quiseram honrar com a presença e o carinho da sua boa vontade de nos abraçarem neste dia de alegria para a nossa Rascoia e para todos os seus habitantes, apenas, em nome de toda a população deste lugar eu quero dizer-lhes, com o coração e com a alma transbordante de alegria e satisfação, à usança antiga. BENVINDOS SEJAIS, AMIGOS. É o povo da Rascoia, ordeiro e bom, e de bom coração; eu o garanto a V. Ex.as. Necessita de ser olhado com carinho pelas entidades competentes e superiores, para que se lhe melhore as condições de vida.
Necessitava de Luz Eléctrica; já aqui a temos. Tendo-se constituído em Junho ou Julho do ano findo uma Comissão de Melhoramentos, logo se resolveu enfrentar o assunto da Electrificação. Da Comissão, por mim presidida, fazem parte os Srs. Francisco Silveiro Freire, Abílio Lucas e Emídio Sequeira Jacob a quem daqui quero felicitar pelo alto espírito de sacrifício e por vezes de abnegação – e porque não dizê-lo: com prejuízo da sua vida particular por vezes – e que sempre e sempre têm demonstrado BEM SERVIR a causa do progresso da nossa Rascoia. Apresentado o respectivo projecto na repartição competente em fins de Agosto de 1957, mercê de boas vontades, foi possível que a comparticipação fosse logo concedida em princípios de Fevereiro do ano corrente, tendo a Companhia Eléctrica das Beiras dado início aos trabalhos em Abril findo.
Quero aqui deixar patenteado o nosso agradecimento pela maneira amiga e bem dedicada com que sempre nos atendeu e orientou o Ex.mo sr. Engenheiro Martins Correia, da Companhia Eléctrica das Beiras, a que daqui, em nome do povo da Rascoia, desejo saudar.
A todos os filhos e não filhos da Rascoia que connosco colaboraram, generosamente auxiliando esta Comissão de Melhoramentos, a esses, quer aqui me ouvindo ou distantes, dispersos pelas cinco partes do Mundo, direi apenas: OBRIGADO CONTERRÂNEOS. A todos, sem excepção, que unidos à volta desta Comissão de Melhoramentos auxiliaram, fosse de que forma fosse, o nosso BEM HAJAM.
E como é uso dizer que os últimos são os primeiros, eu não quero terminar estas minhas palavras de agradecimento sem ter uma referência muito especial para um nosso Amigo – agora falo para o povo da Rascoia – o Ex.mo sr. Dr. Manuel Torres Marques, ilustre Tesoureiro da Bolsa de Mercadorias de Lisboa e aqui presente, pois Ele acompanhou e acarinhou em Lisboa, junto das Repartições competentes o andamento do respectivo processo, insuflando-lhe sempre o desejo duma velocidade mais que relâmpago… atómica… e em Fevereiro último, no Diário do Governo, lá vinha a tão desejada Comparticipação. Para Ele e para sua Ex.ma Esposa, aqui também presente, em nome do Povo da Rascoia eu desejo-lhes as maiores venturas e felicidades para seu Filho estremecido, dizendo-lhe à moda bem sincera e bem portuguesa: OBRIGADO, AMIGO. Bem haja, pois, meu caro e velho Amigo e que Deus o proteja sempre e aos seus, sabendo recompensar os Bons. (…)
Prezados Conterrâneos:
Para vós vão as minhas últimas palavras – sem ter nascido nesta Terra, quero-lhe tanto como vós, não só por aqui ter nascido e vivido minha Santa Mãe e meu Pai como também por nela ter passado parte da minha mocidade – Senti sempre a vossa amizade; também sempre tendes sentido a minha. Tenho sentido e vivido as vossas necessidades e constatado as vossas aspirações; tenho estado sempre a vosso lado. E com esta UNIÃO que nos caracteriza foi possível esta grande e velha aspiração: a luz eléctrica. Aqui a temos. Que ela seja mais um elo da nossa união e garanto-vos que se assim fizermos, iremos conseguir todos os melhoramentos e velhas aspirações, pois o Governo do Estado Novo sob a égide do Grande Salazar vem sempre ao encontro das aspirações e desejos do Povo Português. Na placa comemorativa desta inauguração quizeram ali deixar gravado o meu nome no mármore, como impulsionador deste melhoramento, hoje inaugurado. Apenas procurei ser-vos útil; de consciência tranquila e como filho da Rascoia apelo para Vós para nos unirmos cada vez mais, pois a união faz a força maior. Tenhamos fé em Deus. Queria dizer-vos “Obrigado”, mas não, pois a nossa gratidão é mútua e alegra-me imenso ter verificado que o «caso da Rascoia» quanto à electrificação e plano de obras futuras constituirá um exemplo a seguir para os outros lugares. Só por isso me sinto compensado e recompensado por ter conseguido a união do nosso povo. Obrigado. Rascoia. 28 de Setembro 1958».
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Consulte: 1ª parte - 3ª parte
publicado por ansiaonews às 18:35

A História Ilustre de Ansião pelo Dr. Manuel Augusto Dias
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